segunda-feira, outubro 18, 2010

A semana passada...

A semana passada foi brilhante. Aliás , a par com o mês passado, com o ano passado. Arrisco-me a dizer que está lá em cima a par com a legislatura passada...

A semana passada ficamos todos a saber que vamos ser mais sodomizados um bocadinho, só mesmo um jeitinho de nada.... Ficamos a saber que o Engº Sócrates, com um aperto no coração que lhe poderia até feito mal, se prepara para nos voltar a fazer aquilo que tinha prometido, reafirmado, assegurado que não faria : mais impostos para a malta. Se cada vez que aumentamos os impostos o coraçãozinho dele é apertado, então sou a favor que se aumente os impostos de tal forma que ele (o coraçãozinho) rebente de vez. Só não tenho a certeza que ele não consiga sobreviver sem coração.. Já governa como se não tivesse um, vai-se a ver e temos um zombie como 1º ministro....
A semana passada, o orçamento mais importante dos últimos 25 anos, aquele que apertou o coração ao Engº, foi entregue uma hora antes do prazo. Com razão porque era preciso ser rigoroso. E foi uma rigorosa metade de orçamento que ganhou vida... Um rigor com já não se via desde os tempos do acórdão do caso Casa Pia. Mas ainda bem: se metade do orçamento já nos põe de rastos, imaginem o que faria um orçamento inteiro... Era seguramente caso para suicídios em massa.
A semana passada ouvimos uma ministra do Trabalho afirmar que se deveria considerar o aumento da idade para a reforma. A passagem para 70 anos parecia-lhe razoável... Ora bem, nunca gostei de ministros comedidos... ou é ou não é, se vamos mexer nisso passemos directamente para os 80, ou melhor, assim de repente lembrei-me que podíamos aumentar as reformas em 350% para todos, sem excepção, mas só concedidas ao titular da reforma, sem possibilidade de serem transferidas ou pagas a mais ninguém e a entrar em vigor imediatamente. Para amenizar as coisas passamos a idade da reforma para o dia de óbito. Matamos dois coelhos sem gastar um único cartucho... Pomos as contas da segurança social em ordem e calamos as vozes desses revolucionários absurdos e despesistas que clamam por aumentos de 2 ou 3% nas suas pensões de 200 ou 300 euros...
A semana passada juntou-lhe um Pedro Passos Coelho, com uma atitude de agarra-me se não eu bato-lhe, a afirmar que não fora o impedimento constitucional estaria a derrubar o governo. Claro que um mês antes, quando o podia fazer, não se lembrou de o afirmar... nem de o fazer....Imagino que terá sido porque só na cabeça dos 10.000.000 de portugueses que não são políticos é que a certeza de que mais impostos nos cairiam em cima podia existir. Ao mesmo tempo tinha uma conversa de pé de orelha com uns senhores de umas instituições se solidariedade publica, comummente designados como bancos, para lhes pedir desculpas por ir aprovar um imposto absurdamente alto que os próprios já assumiram que iam transferir para os ricaços dos clientes.

Só ao inculto tuga, aquele que já não tem dinheiro para pagar a casa, o que vai deixar de poder comprar produtos de luxo como conservas de carne, ou leite chocolatado, aquele que não tem lampejos de brilhantismo que o lembram que se podiam abrir cantinas á noite, só a esse passou pela cabeça que ainda ia ser mais empalado....

Os políticos, essa classe brilhante, essa classe profundamente atingida pela crise económica que em alguns casos vai ver o seu ordenado reduzido em mais do dobro do salário mínimo nacional, essa classe atarefada em fazer contas complicadas para poder chegar ao fim do mês e comprar mais uns veículos para a frota, ou em preparar uma festança de 150.000 Euro para comemorar um anito de existência, ou ainda em retirar os valores das despesas públicas do domínio público, essas almas preocupadas em reorganizar o horário das cantinas para poderem sobreviver com os seus míseros salários, esses políticos não viram isso chegar. A classe brilhante que gasta tempo e recursos a discutir uma revisão de uma constituição numa altura em que o que é preciso é tirar o país da falência. E vista daqui, a única culpa que consigo atribuir a constituição é consagrar o direito de existência da classe política. Isso e considerar crime o assassínio em massa de políticos claramente maus e incompetentes. Essas Portas, que entre uma visita a uma feira e uma passagem pelo mercado, compram um ou dois submarinos com os trocos que estão nos bolsos dos tugas. Esses Sousas que conscientes que não chegarão nunca a ter responsabilidades governativas, se desdobram em gritos de revolta, incluindo o mais alto, aquele que o preocupava mais : os malandrões querem mexer na receita da festa do Avante. Estão a mexer no bolso colectivo do partido. Ou os Louçãs, que além de também terem Portas ( mas mais arrumadinhas a um cantito em Bruxelas), debitam análises brilhantes, com certeza resultantes de uns brainstorming ao sabor de um qualquer incenso exótico. E que dizer dos Verdes, cuja existência está ligada somente à necessidade de colorir o cinzentismo do parlamento e que vivem no terror permanente de verem a sua cor passar de moda e serem substituídos pelos Amarelo Limão. Não é natural que todas essas preocupações, válidas, pertinentes, produndas, lhes roubem espaço mental (algo que por definição não abunda na cabeça de um político que está logo abaixo dos futebolistas na tabela oficial) para se poderem preocupar com mesquinhices como dívida pública, ou algo tão pouco importante como melhoria da qualidade de vida de quem os elegeu. Para isso estamos cá nós, os pagadores de impostos. Os que pagam para serem roubados por aqueles que recebem o que nós lhe pagamos. Aliás, como uma voz sábia disse a semana passada, ou na anterior que para o caso vai dar ao mesmo, não pode ser só o governo a viver a crise. Não é essa a sua função. A função do governo será com certeza criar crises para nós nos entretermos nos tempos livres a resolve-las. Tipo passatempo nacional....

Em boa verdade, aquilo que mais me preocupa não é o aumento dos impostos, o disparar das falências, o crescimento do desemprego,a crise económica ou a mais que certa recessão... O que de facto e verdadeiramente me preocupa é que as constantes palhaçadas e anedotas debitadas pelo nosso governo, acompanhadas de perto pelas brincadeiras e tiradas saloias da oposição roubem espaço aos Jogralhos. É que a capacidade que eles têm de constantemente criar novas bacoradas e motivos de risota fazem-me crer que fomos ultrapassados.... E eu não sei se consigo viver sem os Amarelos.....



3 comentários:

Kaixas disse...

Brilhante!

Frias disse...

http://i.imgur.com/kd4hO.jpg

No entanto carros há poucos, por isso eles compram mais, e o pessoal que lhes trata da papelada habitual não é competente para tratar da compra dos carros por isso contratam escritórios de solicitadores e advogados (amigos) para tratar da compra dos carros. Isto a uma módica quantia de 600 euros por carro.
Mas para que falar, pouca gente saberá quais mas toda a gente sabe que elas acontecem.

Mene disse...

Sócrates já não tem coração há alguns dias, pois já se queixou que lhe doí a alma: Já não tem coração e para lá caminha a sua alma.

Pás na sua alma!

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