quarta-feira, novembro 03, 2010

Está ou não na hora???

Sabem que mais? Estou farto!!

Farto de orçamentos. Do meu que está com mais buracos que o do Estado. Do Orçamento de Estado que vem arranjar mais buracos para o meu!!!

Nem quero saber mais de números. Como diz um amigo de longa data, e também já o diz há muito tempo : " Não há dinheiro não se olha a despesas!!!!".

Não quero saber se compramos mais um submarino, se fazemos ligação de alta velocidade entre Cuba do Alentejo e Cabeceiras de Basto no Minho, só para o professor Marcelo ir rapidamente de sua casa para o seu monte. Se o Tejo passa a ser recordista mundial de travessias . Se o novo aeroporto inclui uma pista para Space Shuttles entretanto desactivados. Se o nº de Itenários Complementares que passam a auto estradas duplica e o nº de pórticos lá colocados cresce exponencialmente. Se o pão tem menos sal e o atum não aumenta de Iva. Se a Penthouse Portugal tem ou não sucesso, se os carros eléctricos são ou não viáveis, se a Maya vai ou não acertar no vencedor do campeonato ou mesmo se trocamos votos com o Qatar na candidatura ao Mundial.

Sabem o que verdadeiramente me preocupa? Assistir a excertos de 20 segundos de uma qualquer discussão parlamentar e ver o nível de qualidade apresentado. Saber que as pessoas( não tenho a certeza que o termo se aplique!) que lá estão são aquilo, aquela pobreza intelectual, aquela arrogância chauvinista, aquele descrédito completo.

Lembro-me vagamente das aulas de história, onde me foram apresentados nomes imponentes, que influenciavam a política mundial. Que eram reconhecidos por todos, amigos e inimigos, como alguém a ter em conta. Imperialismos desnecessários á parte, éramos alguém. Éramos governados por alguém. Agora somos não só desgovernados, mas também alvo de chacota. Leio artigos de russos, ingleses, americanos, franceses. Em comum têm a opinião do desvario que por cá corre. Da pobreza extrema dos nossos políticos.

Por si só, isso já é grave que chegue, mas mais grave é nós continuarmos impávidos e serenos. Amorfos. Sem reacção.

Vejo um Presidente em fim de mandato, muito provavelmente o próximo presidente, anunciar a sua preocupação com a descredibilização da classe política. Claro que não o vi preocupado com isso quando era chefe de governo e, nas palavras dele, viviamos num oásis. E enquanto a água e a sombra dos milhões da CEE deram para alimentar ferraris, casas de praia e de campo, iates e alcatrao, todos vivemos contentes. E agora? O alcatrão anda caro, sai-nos caro e faltam as palmeiras para a sombra. E ao que parece a fonte de milhões está a jorrar as últimas gotas. Só agora se preocupa com isso?? E de que vale a sua preocupação? Vai dar emprego a quantos? E a acompanhar essa preocupação não podia vir um bocadinho de vergonha? Não podia o senhor dizer ao país que era candidato e que a sua campanha tinha sido feita nos últimos 5 anos. Por aí ficariamos a saber se era ou não um bom presidente. E o dinheiro, que não temos, que iria gastar em canetas e autocolantes seria entregue à segurança social. Ou usado para dar de comer aos pobres. Sim Sr. Presidente, há quem passe fome neste país.

Vejo um arrogante, narcisista e imberbe Primeiro Ministro que já nem mentir consegue. Uma personagem que nem Dante se atreveu a imaginar na sua mente perturbada, cujas afirmações se contradizem tantas vezes, de tal forma e com tanta violência que ele próprio não sabe qual era a queria fazer, se já a tinha feito ou se ainda ia a tempo de a corrigir mesmo antes de a proferir. Alguém que não tem vergonha de ter o nome numa montra de Rodeo Drive, a par com outros milionários do mundo. Alguém que não tem o orgulho suficiente para falar Português por esse mundo fora, nem a vergonha de demonstrar o quão mal fala outra língua qualquer. E podemos escolher, que ele fala tão mal o inglês como o espanhol como o francês. Nisso ninguém o pode acusar de descriminação.

Vejo um Coelho a caminhar a Passos largos para se tornar num clone da figura anterior, com uma incapacidade gritante de inovar, de renovar, de manter um mínimo de credibilidade, mas plenamente confiante que a alternância normal no poder o colocará na cadeira de primeiro ministro. Alguém que atacava já os mais pobres e fracos na sua essência: a educação, a saúde e o trabalho, certo que o mau estar que rodeia a actual pseudo governação lhe permitiria escapar incólume ás críticas do eleitorado ao mesmo tempo que marcava pontos com os grupos económicos que precisa para financiar a sua subida ao poder. Rodeado da mesma corte de sanguessugas, factor comum a todos os partidos políticos nacionais, preocupados em garantir lugares bem pagos em empresas pagas por nós e que a gosto são privatizadas ou detidas pelo estado. Daí seguirá seguramente um trajecto de culpabilização da legislatura anterior, enquanto o tempo e as sondagens o permitirem, até nos atirar de novo para mais do mesmo.
Vejo Portas, Louçãs e Sousas, oradores com retórica nacionalista grátis, de fácil consumo e propagação viral. E estou seguro que se a retórica criasse empregos, estimulasse a economia ou melhorasse a educação, seriamos nesta altura o país mais rico no mundo, com menos desemprego e uma geração de homens e mulheres brilhantes, bem formados e com capacidade para nos manter nesse caminho. Infelizmente para nós, a retórica só fica bem nos telejornais, onde as respostas populistas fazem algum furor, dependendo claro do canal, e do/a jornalista. Há quem veja até uns Verdes por lá juntos. Eu pessoalmente não os vejo. Mas acredito naqueles que me dizem que eles existem. Ninguém se ia lembrar de inventar uma coisa dessas.

Fora isso, a censura subsiste, o clientelismo está instalado e a ditadura já nem encapotada está. Só o povo daltónico acha que há diferença de cor entre rosas, laranjas , azuis e vermelhos, sejam eles vermelhos claros ou escuros. São todos Verdes, da mesma cor daqueles que me dizem que existem, e eu até acredito.

E o povo pá?

O povo cá anda, entretido entre casas pias, faces ocultas, freeports e apitos de variadíssimas cores. O Fado já não apazigua. Fátima já só dá dinheiro à Igreja e o Futebol é o que se vê: uns dias mal, outros piores.

Mais ninguém acha que está na hora disto mudar?

Mas mais ninguém acha que está na hora de Nós fazermos isto mudar????

1 comentários:

Mene disse...

Haveria tanto para escrever... mas uma primeira coisa me salta à minha memória (fraca por sinal):
O Cavaco Silva, presidente, veio à dias dizer que deveríamos apostar no mar. Enquanto que o Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, vendeu a nossa Marinha Mercante a troco de um cheque de 600 milhões de euros transformados em alcatrão que estamos agora a pagar... duas vezes!

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