sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Um aproveitamento...
Mas eu pergunto: que merda é que a JS fez para que este valor subisse?? Quanto muito, foi o Governo ou o Estado Português (politicamente falando). Parece-me um claro aproveitamento de um número em prol da miudagem associada ao poder, que está na moda, é fashion, é tacho e dá um jeitaço para aqueles que são intelectualmente inferiores arranjarem um futuro promissor neste país em cacos.
Além disso, nem referem se este valor aumentou no Público ou no Privado, o que me parece mais grave ainda.
Este número, resulta de um trabalho importante das próprias Universidades. Num esforço destas em conseguir um melhor ensino, os melhores alunos, na divulgação da investigação e no fazer os possíveis para conseguir reparar um orçamento, diminuído, alguns casos, em 7% pelo próprio governo do PS, os paizinhos destes miúdos da JS.
Se este valor foi atingido, deve-se dar crédito apenas às Universidades que aumentaram o seu número de alunos. Foi graças a quem la trabalha e não graças aos miúdos engravatados que pensam que já são gente. E não foi graças ao aumento das propinas.
"O céu a seu dono"
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Falácias na Educação…
A Sr.ª Ministra da Educação diz que apenas se preocupa com a qualidade do ensino…
E porque defende isso, decidiu que passar pelo menos 4 anos a estudar e 1 ano a estagiar não são suficientes para se saber dar aulas (não se sabe porquê, não apresentou estudos sobre o assunto…), e por isso 2 testes de 90 minutos é que decidem se um professor é bom ou não a dar aulas… faz todo o sentido… (ou não!).
E se a qualidade do ensino a preocupa tanto, porque é que decidiu acabar com os tradicionais estágios pedagógicos e substitui-los por algo que de estágio apenas tem o nome?…
Quando estagiei, leccionei cerca de 300 aulas nesse ano, mais as responsbilidades inerentes a duas turmas (reuniões, testes, etc)… Os estágiarios de agora num ano inteiro leccionam pouco mais de 2 dezenas de aulas...
Há comparação? Isto é que é formar professores com qualidade? Queremos que só os melhores possam dar aulas, mas ao mesmo tempo decidimos acabar com uma parte fundamental de todo o processo de formação de um professor???
Hmm… será que é porque… não… não pode ser… estava aqui a pensar se tinha algo a ver com o facto de o meu estágio ter sido remunerado e com direito a subsídio de desemprego, e agora não ser remunerado, e não terem subsídio de desemprego… não pode ser isto… ela apenas se preocupa com a qualidade do ensino, não com o dinheiro…
Ou será que não?…
Com estes estágios poupa-se duplamente: não se paga enquanto se está em estágio, e não se paga no ano seguinte se estiverem no desemprego…
Não era melhor pagar um bocado, mas ter a certeza que os candidatos a professores passavam por um processo de formação necessário? É acabando com os estágios que se garante a qualidade que se quer? (não duvido que os estagiários irão dar em bons professores, mas não à custa destas medidas…). Assim começa mal, mas nada que um exame não possa resolver…
(Uma pergunta: se um professor reprovar neste futuro exame, será que o seu ex-orientador vai ser despedido também? Afinal, foi ele que disse que o professor sabia dar aulas, apenas baseado num ano inteiro de observação…)
Dois exames de 90 minutos garantem uma boa qualidade na educação; um ano de estágio “como deve ser” não o garante…
Isto, Sr.ª Ministra, é que é uma falácia…
Nuno Sá
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Graçola
Ao invés do esperado “imagina, não são não”, ou de uma promessa de cirurgia para aplicação de silicone, ele me vem com uma sugestão insólita:
- Pode parecer estranho, mas eu já vi funcionar… Se quiser aumentar seus seios, pegue todos os dias um pedaço de papel higiênico e esfregue-o entre eles durante alguns segundos.
Aquilo parecia uma brincadeira sem graça, ou uma simpatia sem qualquer fundamento científico.
Mas, disposta a tentar qualquer coisa, pego um pedaço de papel higiênico, fico na frente do espelho e começo a esfregá-lo entre meus seios para ver o resultado da estranha dica!
- Quanto tempo demora para funcionar? - eu pergunto.
- Claro que não é um negócio automático, bem! Eles vão aumentar de tamanho ao longo de alguns anos. - responde meu marido.
Parei e, meio que me sentindo idiota, perguntei:
- Você realmente acha que esfregar um pedaço de papel higiênico entre meus seios todos os dias vai fazer aumentá-los em alguns anos?
Sem hesitar um segundo e às gargalhadas, ele diz:
-Funcionou com o teu traseiro, não funcionou???
O marido encontra-se em coma, respirando através de aparelhos…
Reitor do Minho diz que dinheiro não chega até ao Natal
As finanças da Universidade do Minho (UM) estão pelas ruas da amargura. A instituição reclama um aumento de 11,7 por cento no orçamento de 2008, mas, feitas as contas, recebeu apenas mais 2,5 por cento do que em 2007. Faltam, assim, pelo menos cinco milhões de euros nos cofres da academia liderada pelo reitor Guimarães Rodrigues, que diz não ter dinheiro para tudo.
"As projecções apontam para a impossibilidade de a universidade garantir a cobertura das remunerações dos docentes e funcionários até ao final do ano", garantiu ontem Guimarães Rodrigues, durante a apresentação das contas de 2007.
Também o conselho estratégico da UM emitiu, em Julho passado, uma nota de preocupação pelas condições orçamentais. "Em estimativa, não será possível garantir cerca de 70 por cento do subsídio de Natal", confirmou agora o reitor do Minho. Em 2007, a UM foi classificada como "referência internacional" no ensino e na investigação. No mesmo ano, o número de docentes doutorados subiu cinco pontos (são agora 81 por cento) e envolveu-se como parceira do programa MIT Portugal."
(Noticia Publico)
terça-feira, fevereiro 19, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Funcionalismo Público - Parte 2
Pergunta: Com que frequência recorre aos Serviços abaixo indicados?
Respostas Possíveis: 1 - Nunca;2 - < 1 vez por mês;3 - 1 a 4 vezes por mês;4 - Todos os dias.
Gráfico:
Descubram onde está a estupidez!!
Nota: Cada barra corresponde ao resultado por Serviço.
P.S. Pode acontecer em qualquer lado.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Funcionalismo Público - Parte 1
Conclusão: Não há problema... foi o próprio superior a dar a formação.
Nota: As pessoas que se recusaram a dar formação, serão as mesmas que terão que dar apoio aos formandos quando estes tiverem dúvidas no futuro.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
terça-feira, dezembro 04, 2007
Jograis na Madeira, a e i o u...
segunda-feira, novembro 26, 2007
Jograis on tour @ Coimbra
sábado, novembro 17, 2007
terça-feira, novembro 06, 2007
Joke
Passado um bocado, chega outro caracol. Olha para ele, para a passadeira e para o outro lado da rua, para tentar perceber porque é que o caracol estava tão escandalizado.
Não percebendo aquele estado no caracol, pergunta-lhe:
- Então, o que é que tens? Não atravessas?
O caracol olha para ele e diz:
- Se a zebra não conseguiu, que probabilidades tenho eu...?
segunda-feira, outubro 29, 2007
quinta-feira, outubro 25, 2007
Tu porque andas cá meu filho?
A resposta óbvia é porque gosto, dá-me um gozo tremendo. Óbvia mas demasiado redundante. Verdadeira mas demasiado vazia. Vou tentar , mas não prometo que consiga, pôr isso num texto. E como sempre disse, não tem de rimar, e a métrica não será a melhor, mas juro-vos que vem do fundo da alma...
Não sei se alguma vez vou conseguir passar a palavras a sensação de estar perante uma plateia que nos aplaude, satisfeita com um dos nossos textos. A mim o palco faz-me falta, dá-me vida, recarrega a alma, preenche vazios, completa sentidos. Não vos consigo transmitir a emoção que é ter de parar de ler a cada quadra para dar oportunidade aos aplausos se escoarem. Nada se compara com o efeito de ter uma Sr.ª com idade para ser minha avó pedir para me dar um beijo, dizendo que há muito não se divertia tanto. Não consigo ficar indiferente a outra senhora que se aproxima de mim e afirma que no ano anterior parecia mais animado, e que me faltou o saltinho na entrada em palco acompanhado do respectivo “Tcharan”. Ou o outro senhor, armado de um dos nossos livros, que me pedia por favor para o assinar, ao mesmo tempo que me contava a história do filho, tuno por vocação, e relembrava os seus próprios tempos de universitário dizendo sentir saudades do espírito reaccionário que via em nós. Ou aquele que vem perguntar porque não lemos um texto que tinha escutado há dois anos, e começa a recitar o início. Aquela criança que se senta no palco a meu lado e mostra o desenho feito, onde estava o pai, a mãe e os amarelos a actuar. Conseguis entender a ansiedade que se instala em mim quando entro pela 1ª vez da noite em palco? O desejo de transmitir alegria e boa disposição disfarçando de humor críticas severas que outros não têm coragem ou vontade de fazer? Ou então sem crítica mas com muita vontade de pôr um sorriso nas caras escondidas pela luz. A tristeza que se segue a uns minutos menos conseguidos em palco? O orgulho de ser convidado para fazer um espectáculo, onde só estivessem os Jogralhos, sem tunas, sem coros. Só nós. A alegria extrema de sair ovacionado do Coliseu em Lisboa? O medo terrível de não conseguir atingir as expectativas criadas? O orgulho que me encheu o peito quando o meu filho vestiu o meu casaco, o meu lenço e pela 1ª vez subiu a um palco comigo. E as horas que eu passei a limpar a baba quando me pede uns dias depois para lhe comprar um livro de anedotas.
Ah, então fazes isso para satisfazer o ego. Sim. Não.
Sabeis o que é chegar a um sítio pela 1ª vez, longe de vossa casa, e serem recebidos como os filhos perdidos? Entendeis o sentimento de regressar a casa numa terra que nunca visitastes? Como vos sentis quando recebeis aquele abraço forte e emocionado de alguém que vos não vê há 3 anos? E que vos tinha visto pela 1ª vez precisamente nessa altura. Há maneira de não chorar quando vem de cima de um palco uma dedicatória a mim em particular? Concebeis o facto de estar mais em casa em muitas aldeias, cidades e vilas por esse país do que em Braga? Conseguem quantificar o sorriso sincero que aquele tuno vos oferece do outro lado da cantina? Sabeis retomar uma conversa, interrompida no ano anterior precisamente no mesmo ponto em que tinha acabado? Sabem a que sabe uma sopa de feijão às 7 da manhã quando acompanhada de um fado e 4 militares da GNR? Como reagiam a uma escultura feita propositadamente para os Jogralhos, oferecida só porque são o que são? Achais bem receber o prémio de tuna mais tuna se nem pandeireta sabemos tocar? Conseguis perceber porque raios um tuno pede para um grupo de boas vozes se calar só porque vai tocar um fado que a minha voz vai assassinar? Tem lógica ouvir uma cidade a gritar “Medicina Allez…”? É normal serem dedicadas tantas músicas aos Amarelos? Faz sentido voltar ano após ano aos mesmos teatros, convidados pelas mesmas pessoas? Merecemos a constante preocupação que nos é devotada sobre o nosso bem-estar? Como raios se fazem bares em balneários e se criam aí cumplicidades que nunca mais se perdem? Sabeis porque carga de água sabe melhor o moscatel nessa altura?
Deixa ver se te percebo, basicamente és Jogral para satisfazeres o ego e te sentires importante. Certo? Claro. Bem, nem por isso. Não.
Há a última e primeira razão de o ser. Se quiserem a única. Aquela que se sobrepõe a todas e é válida per si.
Vós.
Vós irmãos de amarelo, com quem partilhei e ainda partilho parte da vida.
Todos vós sem excepção, desde a 1ª à última geração. Tu Kim. Tu Norby. Tu Póvoa. Tu Maia. Tu Arnaldo. Tu Louro. Tu Lena. Tu Pastilhas. Tu Kaixas. Tu Luke. Tu Mutley. Tu Nico, Tu Nharro. Tu Titi. Tu 25. Tu IP. Tu Mouro. Tu Spirou. Tu Nem. Tu Viagra. Tu Xis. Nunca vos agradeci por serem o que são, o que foram. Sou JOGRAL porque vos amo. Porque o vazio que deixariam em mim se não existísseis seria demasiado grande para preencher. Vós que sois a minha família depois da família. Que sois irmãos, e como irmãos discutimos, arrufamos, embirramos e lutamos. Saímos de casa para a independência mas voltamos sempre para o Natal. Emigramos mas fica sempre a vontade de regressar em Agosto. E quando o fazemos esquecemos as divergências e relembramos com saudade os tempos que já o não são. Vós que estais sempre aí quando preciso. Que fostes sempre os mesmos comigo, concordando ou não. Que estivestes em alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Que aceitais o que sou, pelo que sou. Que não me julgais. Que criticais sempre que é preciso sem me obrigar a reescrever. Que me pondes na cama quando são horas. Que me dais sem nunca pedir.
Que sabeis jogar futebol circular.Que vos desviais do caminho para me levar a casa. Só vós entendeis o prazer e o orgulho de ser vosso escravo já depois de ser velho. Só vocês entendem um Rodolfo em pleno verão.
Não me preocupa a mediocridade literária deste texto. Nem a lamechice pegada que possa aparentar. Preocupava-me sim o poder morrer amanhã e nunca vos ter dito isto. E dizê-lo alto e em bom som. De forma clara e explícita para que nenhum de vós tenha dúvidas. E aqui, onde todos podem ler porque tenho orgulho de vocês, de nós.
Sou JOGRAL porque vos amo.
por Tilt
quarta-feira, outubro 24, 2007
Joke
Fácil...
Derrete-os todos, faz um pneu e chama-lhe "Goodyear"!
terça-feira, outubro 23, 2007
Argutator
Estou a brincar. Não precisam de parar o mundo. Nem sequer de o abrandar. Mas de facto o latim está de volta. Em muitos mais que um sentido. Vem isto a propósito de…? Perdes-te a cabeça por completo? Pois, eventualmente assim será. Acabo de ler uma crónica de opinião acerca de uma crónica de opinião sobre a qual demasiados opinaram.
Argutator = sofista, aquele que usa argumentos excessivamente inteligentes, Chico-esperto.
É a melhor maneira que tenho para descrever o nada que conheço do Hugo. Atenção que ele poderá ser uma pessoa fantástica, de uma simpatia extrema e com uma personalidade interessantíssima. Não o sei porque o não conheço. Aquilo que eu vejo dele é o que escreveu, mais concretamente duas crónicas que publicou no ComUM. Como tal é extremamente limitado o alcance desta crítica. Não sei se tive de fazer mais esforço a ler a 1ª ou a 2ª. Acontece que num caso como noutro a preponderância de adjectivos é avassaladora. Num caso como noutro resulta num texto pesado, difícil de ler, com um público-alvo muito limitado. Num caso como outro a estrutura é frágil, a linha condutora ténue, o obscurantismo muito, a erudição demasiada qual Nostradamus da nossa academia. Sendo ele estudante de Comunicação Social parece-me que falha na parte de comunicar para a sociedade. Se era um ensaio foi publicada no local errado. Se era uma crónica seria provavelmente bem recebida no Jornal de Letras. É aliás mais parecido com um discurso político, e eis aqui a 2ª vertente do latim ressuscitado. Fala, fala, fala e não diz nada que se entenda….Como eu claro. Tem portanto muito latim. Obviamente a 1ª vertente seria a frase em Latim com que terminou a crónica, isto para os mais exactos que não gostam e passaram para a 2ª sem conhecerem a 1ª.
Começou a crónica por afirmar que não poderia deixar de se referir à crónica anterior. E assim fez ao admitir que tinha sido violenta. E por aí se ficou. Não há mais nenhuma referência a ela. Há isso sim um recorrente capricho em escrever muito para dizer demasiado pouco. Uma tentativa de se envolver numa aura de erudição refugiando-se em citações. Paul Auster, escritor e realizador Norte-americano, também conhece Portugal, não sei se conhece o Hugo, e veio cá filmar um das suas obras, mais precisamente “The Inner Life of Martin Frost”. Veio porque era mais barato filmar cá, metade do preço segundo ele, e temos alguns locais relativamente parecidos com a Carolina do Norte. Mas até os sacos de papel teve de trazer de lá, que cá não há pelos vistos. Somos em tudo terceiro mundistas. Com sorte ainda teremos sido apanhados pela objectiva e seremos parte integrante da obra-prima desse ícone cultural. Mais citações haveriam com certeza para reforçar a sua ideia. Sua do Hugo e do meu amigo Paul. Uma das que gostava de partilhar com o Hugo e vocês, proveniente de um homem rude e pelo qual não nutro particular apreço, é:
“ Mais vale fala rapaz que cala-te rapaz.”O meu avô encarregou-se de a transmitir ao meu pai, que a passou a mim e que eu agora passo ao mundo. A mim custa-me seguir o conselho, mas tenho a alegria de verificar que não sou o único. A miséria sempre gostou de companhia.
A História está repleta de Austers, e Ghandis e Hitlers e Mussolinis e Einsteins e Guevaras e Lamas e Kants e uma lista de tantos, mas tantos outros que não sou capaz de a escrever. Por pura ignorância minha, por falta de dedicação à causa, por falta de erudição e por tudo mais que vós queirais. De atitudes extremas, de falácias, de erros grosseiros, de assunções perigosas, hipocrisias encapotadas e omissões imperdoáveis. De avanços e recuos. No fundo de tudo que enquanto espécie somos capazes, do melhor e do pior. A arte também, assim como a escrita. E de facto não é para todos. Se é só para os melhores….
Hergé era um artista, Pratt também. No entanto o meu filho de 7 anos consegue ler Tintin e não se perder muito, já Corto Maltese torna-se demasiado pesado para ele. Hugo Torres então é algo que para já ele não consegue passar da 1ª metade da 1ª frase. Vá, vamos ser honestos. O Hugo nunca escreveu a pensar que o meu filho o leria. Pensou que seria para os inovadores e progressistas académicos.
Mas agora que penso nisso a U.M. não é uma escola de Belas Artes. Mas conheço muitos engºs Civis, Informáticos e Industriais nos grupos académicos. Homens e mulheres que dedicaram o seu esforço académico a aprenderem e apreender o que lhes facultaram na universidade, indo muitas vezes mais além dessa fonte por nela notarem falhas ou ainda por pura sede de conhecimento. Capazes de pensar, perspectivar, avançar e muitas vezes com distinção. Capazes também de dançar um corridinho, tocar braguesa, acordeão e cantar Ave-maria. Mas não lhes consigo perdoar por não serem capazes de esquecer a sua vida profissional ou académica para se dedicarem exclusivamente a essa faceta artística e se excederem nas suas performances. Só porque almejam a ser engenheiros, químicos, físicos ou biólogos não quer dizer que se possam descuidar e ter tão medíocres prestações artísticas. Não sabeis cantar, calai-vos. O facto de não aparecer ninguém a cantar melhor que vós, não é desculpa. Não cantais bem? Tocais mal? Escreveis pior? Não o façais. Não, não insistam, se acabam todos os grupos menos aqueles que declamam Caeiros ou apresentam Steinbeck assim sejam. Tenhamos o orgulho suficiente de sermos entendidos e apreciados apenas pela notória minoria de iluminados. Por aqueles poucos predestinados que destrinçam significados escondidos em infindáveis caixas chinesas, tão subtis e elaborados, e simultaneamente claros e reveladores que pasma tornarem-se inatingíveis a alguns intelectos. Sejamos estandartes do dicionário, campeões da adjectivação, cruzados da essencial elaboração poética. Ou não.
Não vos vou dizer porque ainda sou Jogralho, isso são linhas para outro texto, que vos prometo para breve. Vou-vos dizer que não me considero artista, nem tão pouco escritor. Mas também vos digo que ainda penso continuar a sê-lo, apesar de só fazer o melhor que posso. Imperdoável, é certo. Mas ainda terão de nascer muitos Hugos para se juntarem todos e me levarem de lá pela força. E aproveitar para vos dar a melhor definição de arte que ouvi até hoje. Ouvi-a de uma bailarina, há muitos anos. Queria por força que eu fosse dançar com ela. E perante a justificação que dei – Não sei dançar – ela respondeu: claro que sabes. Pegou em mim, num leitor de cassetes (sou mesmo velho não sou?) e fomos para a praia. Pediu-me para fechar os olhos, ouvir a música, e depois deixar o corpo fazer o que queria. Quando acabou a música disse – “Vês como sabes….”. Obviamente não sei dançar, mas a ideia por trás da história é válida. Aquilo que fiz foi dança, nem boa nem má… só dança. Transponham isso para área que quiserem. Uma música cantada pela Azeituna, bem ou mal, é uma manifestação cultural. É Arte. De elevado nível? Não sei. Sei que não trocava uma noite de guitarradas na companhia do Dinga e do Lucas por dois dias de conversa com o Paul Auster. Sei que ter um poema meu, musicado pelo Xico, e ao mesmo tempo ilustrado pela Luísa (se por acaso leres isto Luísa, o teu desenho perdeu-se numa das mudanças. Dava meio mundo e um cavalo para o recuperar. Ou se me pudesses fazer outro….), e que teve o condão de trazer lágrimas aos olhos da Cila quando o ouviu vale mais que uma semana com Saramago. Sei que ter o Mário a cantar no meu casamento a mesma música que ouvi, da mesma voz, no dia que conhecia a mãe dos meus filhos vale mais que um bilhete vitalício para o Royal Carnegie Hall.
Sei que sou mais rico por ter estado e ainda estar no meio de tão maus e acéfalos artistas.
E eis aqui a 3ª e 4ª fase do latim renascido, qual Fénix brilhante. Perdemos o nosso latim, eu contigo, tu comigo."
por Tilt
terça-feira, outubro 16, 2007
domingo, outubro 14, 2007
Agenda de um Jogralho
14:00 – Acordar! Sentir a boca seca da bebedeira do dia anterior e penar pela casa, porque não tem sumo de laranja no frigorífico. Vai ter que beber cerveja.
14:32 – Beber uma cerveja acompanhada com bolachas de água e sal. ÁGUA!!?!?!??
15:02 – Vai ao B.A. (Bar da Associação), comer um hambúrguer e beber uma cerveja.
15:17 – Entra na sala do Grupo e vai à Net ver o mail.
15:45 – Telefona para casa e diz à mãe que está na sala de informática a fazer um trabalho que tem que entregar amanhã. Na verdade, vê gajas nuas na Net e lê o ComUM.
16:30 – Vai até à Universidade ver as gajas boas e beber uma cerveja.
16:44 – Contam-lhe as mais recentes novidades sobre a vida académica. Imagina desde logo, um texto, uma entrada e a próxima noite de copos.
17:30 – Encontra a Olga (bem boa) e conversa um pouco com ela, à medida que lhe vão passando pela cabeça as mais estranhas posições sexuais, possíveis de serem executadas por um humano.
18:23 – Vai para casa com uma cerveja na mão.
18:34 – Ri-se com a mais recente bacorada de George. W. Bush e engasga-se com um pedaço de pão.
19:12 - A Olga liga e diz-lhe que sai com ele esta noite. Mais pensamentos...
20:23 – Arranja um ovo estrelado e um bife com batatas fritas de pacote. Bebe 3 cervejas.
21:39 – Vai até ao B.A. e bebe um chiripiti..... dois..... e uma cerveja.
22:12 – Liga à Olga e diz-lhe que ela está a demorar. Bebe uma cerveja.
23:20 – Vê as gajas a chegar ao BA e bebe mais uma cerveja.
00:12 – Vai jogar matrecos e bebe mais uma cerveja.
00:38 – Chega a Olga.... Pensamentos....
00:39 – Conta a primeira piada e a Olga ri-se.
00:44 – Repara que a Olga, afinal veio com uma amiga gorda.
00:46 – Chama um escravo e dá-lhe uma tarefa: ver-se livre da amiga gorda.
00:55 – Escravo sai com a amiga. Caminho livre e mais pensamentos....
1:12 – Convence a Olga a ir à Discoteca. Vão no carro e apetece-lhe parar noutro sitio. Não o faz porque ela não quer...ainda.
1:43 – 3 horas na fila à espera para entrar. Boca seca, sem beijos nem cerveja.
2:45 - Vê a rapariga com quem esteve no dia anterior. Pensamentos....a três.
3:03 – Aparece um gajo qualquer, todo bêbado, a dizer que os Jograis são repelentes e repugnantes. Bate-lhe... o Jogral, claro, porque é malcriado.
3:56 – Bebe uma cerveja e conta mais umas piadas. A Olga ri-se.
4:23 – Convence a Olga a irem embora. Desvia por um caminho onde não há bófia. Chegados a casa dela, ela diz que está cansada.
4:24 – Ela ri-se... ele conta uma piada, os vidros embaciam.
4:34 – Primeira tentativa frustrada. Ela dá corte (está mesmo cansada). Ele insiste e sobem.
4:56 – XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
5:34 – Adormece. Pensamentos....
8:23 – Acorda e vai-se embora para casa. Boca seca.
8:36 – Chega a casa e deita-se vestido. Boca seca. Adormece! ZZZzzzzz
sexta-feira, outubro 12, 2007
Nova frente de batalha...
Podia-se apenas dizer - "Eu não gostei disto, por isto e aquilo." em vez de dizer "Eu não gostei destes inergúmenos ou desta feia, estúpida e repelente cabaça verde-canela". O problema está na forma... e pela forma demonstrada, foi perdida qualquer razão.
E vai daí... não contentes, junta-se o lobby dos que bem sabem escrever (ou não), aqui.
Resposta do Grupo:
Meu caro Sílvio,
Não quero iniciar uma nova polémica. Outros há muito mais aptos a isso que eu. No entanto deixe-me expressar as minhas ideias acerca desta sua brilhante crónica.:
1 - É curta.
2 – Parece-me que o Snr. tentou com esta peça transmitir a ideia que os anónimos, menos anónimos, quase anónimos e mesmo aqueles que não sendo concordam total ou parcialmente com as ideias expressas por eles estariam a censurar a vossa escrita. Só assim entendo o vazio da crónica e a preocupação de enfatizar o cuidado em não ser apupado, enxovalhado … etc.
3 – Perdoe a repetição do léxico mas parece-me ainda que isso se relaciona com um artigo de opinião publicado aqui sob o título “Incapazes à queima-roupa” da autoria do Snr. Hugo Torres.
4 – Assim sendo, e assumindo eu que os pressupostos estão correctos, permita-me divagar um pouco sobre a sua atitude:
O Snr não é Jornalista não é Cronista. Eventualmente pode ser jornalista ou cronista. O Snr não é Democrata. Eventualmente poderá ser um democrata da nova vaga, daqueles que acham que todos têm o direito de fazer aquilo que o Snr entende. O Snr é um cobarde.
Sinto que já terá disparado os dedos para as teclas, ofendido na sua dignidade, com uma série palavras a brotarem-lhe do cérebro e da alma preparando-se para me demonstrar o quão injusto e infeliz eu fui na escolha de palavras. Argumentará porventura que este tipo de ataques pessoais são típicos dos anti-democratas e que o seu nível quer intelectual quer educacional será demasiado baixo. Terá o Snr direito a essa opinião, e se eu me ficasse por aqui teria toda a razão. Mas peço-lhe que não esquecendo aquilo que me quereria dizer tenha a bondade e paciência para continuar a ler mais umas linhas. Procurarei justificar as duras palavras aplicadas anteriormente.
“O Snr não é Jornalista não é Cronista. Eventualmente pode ser jornalista ou cronista.”
Digo-o porque abre a sua crónica com um erro terrível. Inicia escrevendo, e passo a citar, “Este texto opinativo demonstra uma tremenda preocupação por parte do autor em não ser enxovalhado, apupado, insultado…”. Permita-me lembrar o início do artigo que referi acima, mais uma vez passo a citar “Os grupos culturais da Universidade do Minho são vergonhosos. Uma espécie de dançarinos repugnantes do lixo inconcebível aos três palmos de civilização que a testa, entretanto, plantou. Repelentes. Repelentes porque repugnantes. Desespero inqualificável, inadjectivável.”. Sejamos honestos, se isto não é enxovalhar, insultar ou apupar o que será? E o Snr não é suficientemente jornalista para o reconhecer. Nem sequer é o suficientemente cronista para discorrer sobre o tema refugiando-se na atitude infantil da birra. A sua preocupação única de aceitação é incompatível com a posição de jornalista ou cronista. Mesmo quando esta é, como no caso, irónica. Os destinatários da sua mensagem são tão díspares entre si que nunca conseguirá fazer chegar a nenhum deles o conteúdo total da sua mensagem.
“O Snr não é Democrata. Eventualmente poderá ser um democrata da nova vaga, daqueles que acham que todos têm o direito de fazer aquilo que o Snr entende.”
Desculpe não entender a razão que o leva a pensar que ao abrigo da posição de Opinionmaker ou Cronista se pode livremente achincalhar qualquer pessoa ou instituição e o mesmo não ser válido para quem comenta. Será pela diferença da linguagem empregue? É diferente eu dizer que o Snr é Burro ou o Snr. é um Ruminante Acéfalo ? Não espume ainda. Não era um insulto, era uma tentativa de rapidamente fazer sobressair a ideia. Mas o Snr. Hugo Torres não achincalhou ninguém, dirá. Fará então o favor de me permitir estes excertos: “…A Augustuna e a Azeituna são indizíveis.”, “…que agrupamento absolutamente ridículo são os Opum Dei?” ou “As tunas femininas doem…” ou ainda “…a Tun’Obebes é insuportável…”. Se as linhas que o Snr Hugo Torres produziu têm direito a ser escritas, e nisso perdoará a minha intransigência, também frases como “Quanto ao menino Hugo Torres,e sim menino porque não passa de nada mais do que isso, independentemente da idade que tiver…”
ou “Caro colega, tenho vergonha de ti! Isto é tudo muito bonito, mas só me conseguiste fazer lembrar bebés…” ou ainda “Penso que temos aqui um pseudo muito mau jornalista...a caminhar para um jornalista frustrado!” também com certeza terão. Parecem-me até menos ofensivas, se bem que teria que concordar que serão menos adjectivadas também. Terem a expectativa de publicar conteúdos online, num suporte que permite uma rápida resposta e não esperarem reacções que ocupem todo o espectro possível de respostas das mais variadas proveniências é no mínimo infantil e amador chegando no limite a ser surreal. Esperarem que não haja comentários anónimos entra directamente na mesma categoria. Parece-me que estou a ver o Engº Marques Mendes a fazer uma birra e a exigir que todos os votos sejam assinados para poder saber quem votou nele ou no Engº Sócrates. Se bem que eu não concorde com o anonimato, ele é a base da democracia em que vivemos. Ou é daqueles que assina os votos nas eleições? Aliás, perdoe a indiscrição, já tem idade para votar? Os jornalistas, cronistas e escritores em geral são os primeiros a usar pseudónimos para protegerem a sua identidade, ou para terem a liberdade de abordar diferentes áreas sem serem conotados com outras. É novidade para si isto? Eu não faço ideia se o seu nome de baptismo é Sílvio Mendes ou Jaquelino Fumaça, mas isso não altera em nada as palavras que escreveu. Não me lembro de em nenhum dos comentários alguém ter pedido para se retirar o artigo. Aquilo que o Snr sugere é que não se possa comentar, e pelo que entendi só o preocupam os comentários negativos ou menos abonatórios. Deixe ver se eu entendo, podemos comentar mas só para concordar. Podem opinar porque é uma crónica mas não podem os outros criticar porque passa a ser um ataque pessoal. Esta atitude poderia também ser considerada infantil não fora ela tão fascista no seu âmago. Meu caro Snr. Sílvio, por aqui só posso deduzir que o Snr não sabe o que é a democracia. E não estou a falar da definição do dicionário, que também tenho em casa muitos. “A nossa liberdade acaba quando começa a dos outros”. O Snr está a querer retirar liberdade aos outros, pondo a sua e a dos seus a um nível superior.
“O Snr é um cobarde.”
Apesar de se notar a sua preocupação de fazer uma birra infantil disfarçada de reacção inteligente suportada por um pensamento profundamente filosófico, não consegui ver na sua crónica um argumento válido. Para além do vazio profundo de palavras, o que dependendo da sua escrita pode ou não ser bom, introduz o conceito de “Coitadinhos de nós que não podemos escrever nada. Somo uns incompreendidos e uns injustiçados”. A profunda frase “Tenho opinião muito bem formada acerca das coisas que não existem. E, ainda assim, hesito. A realidade não me interessa muito.”, que não reconheço de nenhum lado e portanto assumo ser da sua autoria, é de tão elevada intelectualidade que um mero leitor de jornais e livros como eu não consegue atingir o significado. O Snr é um cobarde porque está pronto para lançar pedaços de nada ao mundo e espera que eles não façam ricochete e voltem. Porque não quer que opinem sobre opiniões. Porque acha que adjectivos rebuscados permitem a elaboração de conteúdos que não podem ser depois decompostos, analisados e rebatidos. O Snr é um cobarde porque só admite a liberdade de expressão unidireccional, só a quer aplicar quando serve os seus interesses ou não colide com os seus pontos de vista. O Snr não tem a coragem de apontar claramente aqueles que diz serem autores de insultos e difamação, e os levar às devidas instâncias para aí serem obrigados a responder o que seria isso sim uma verdadeira atitude democrática. O Snr não teve a coragem de silenciar as opiniões e comentários com palavras e ideias fundamentadas. Ao invés usa a ausência delas para tentar transmitir uma ideia de pseudo-intelectual demasiado elevado para poder ser entendido.
Parece-me que um artigo cheio de vazios como o seu já originou demasiadas linhas no meu. Deixe-me terminar com um convite. Esta sexta feira os alguns dos Jogralhos vão juntar-se e ter o prazer de saborear um repasto enquanto preparam a temporada que se avizinha. Está desde já convidado para se juntar a nós nessa altura, ou em qualquer outra, e expor as suas opiniões, trocar ideias, rebater argumentos ou pura e simplesmente saborear um coxa de frango assado e uma caneca de cerveja. Faça como os grupos culturais, que por essência e definição não podem existir sem dar a cara ao público
Ah, e se está com algum tipo de receio de comparecer sozinho traga como acompanhante o Snr Hugo Torres.
Isto se para tal tiver coragem claro… por Luís Vieira
N.d.r: O menino Luís Vieira, por ser uma pessoa sem vastos conhecimentos cultural e informáticos, está impedido de escrever directamente no blog. Por essa razão, eu, que sou o gajo que ainda sabe o que é um bit (que é pretérito do verbo "ber") é que tenho que trabalhar (não... não é praxe)





